Nos últimos anos, o setor de transporte tem evoluído em tecnologia, gestão e profissionalização.  Mas há um ponto que ainda nos prende a um modelo antigo de comportamento: a cultura da crítica.

Criticar o outro parece ter se tornado hábito e, em muitos casos, um reflexo da falta de confiança:

– O motorista desconfia da empresa.

– A empresa desconfia do motorista.

– Empresários desconfiam uns dos outros.

E o resultado é um ambiente em que a cooperação dá lugar à competição destrutiva.

A crítica, quando feita sem propósito, não contribui para o desenvolvimento de ninguém. Ela apenas reforça barreiras e alimenta um ciclo de desconfiança que enfraquece o setor como um todo.

A crítica destrutiva costuma nascer de três sentimentos comuns no ambiente corporativo:

  1. A necessidade de se sentir superior. Ao apontar o erro do outro, criamos a sensação momentânea de sermos mais competentes.
  2. A negação dos próprios defeitos. Criticar é mais fácil do que reconhecer falhas, especialmente quando falta autocrítica.
  3. A resistência ao sucesso alheio. É incômodo ver o outro prosperar, principalmente quando isso desafia nossas próprias limitações.

Esses comportamentos não são exclusivos do transporte, mas dentro de um setor historicamente competitivo e com margens apertadas, eles se tornam ainda mais visíveis.

A verdade é que a crítica excessiva é, muitas vezes, um reflexo da ausência de autodesenvolvimento. Empresas e profissionais que investem em aprimoramento, capacitação e cultura organizacional têm menos tempo, e menos interesse, em apontar erros alheios.

O foco sai da comparação e volta-se para o que realmente importa: melhorar processos, fortalecer equipes e entregar resultados consistentes.

A autocrítica construtiva é o oposto da crítica destrutiva. Ela impulsiona aprendizado e cria ambientes mais colaborativos e produtivos.

Por isso, os líderes têm um papel fundamental em quebrar esse ciclo. Ambientes em que a crítica gratuita é tolerada, geralmente, são reflexo de lideranças ausentes ou reativas. Por outro lado, empresas que cultivam diálogo, reconhecimento e transparência constroem times que confiam uns nos outros, e crescem juntos. A liderança moderna no transporte não é apenas operacional; é educadora. Ela forma pessoas que pensam, se desenvolvem e colaboram. E é exatamente essa mudança de mentalidade que pode redefinir o futuro do nosso setor.

O transporte é, sim, um mercado competitivo!  Mas isso não precisa significar um ambiente hostil. A força de um setor está na sua capacidade de construir coletivamente, não de competir internamente. Crítica sem propósito enfraquece.  Autocrítica constrói.  E o futuro do transporte depende da nossa capacidade de transformar a forma como pensamos, comunicamos e lideramos. Me acompanha aqui no LinkedIn e também na Trajeto para conversarmos mais sobre os desafios do nosso setor.

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